Tal como em tantos outros domingos das décadas de 70 e 80 do século passado, também no de ontem a zona das Antas, no Porto, encheu-se de gente. Desta feita, o palco não foi o antigo estádio do FC Porto, mas sim Fernando Gomes.
Centenas de pessoas despediram-se hoje do ex-futebolista internacional português Fernando Gomes, vencedor de duas Botas de Ouro e goleador máximo da história do campeão nacional FC Porto, que morreu no sábado, aos 66 anos.
“Não sei se é justo propor a retirada da camisola nove [do clube]. Sendo um número tão emblemático, parece quase surreal retirar algo com um cariz tão forte para os pontas de lança e até para nós. Seguramente, haver umas iniciais “FG” marcadas em cada número nove do FC Porto seria uma honra histórica e para a eternidade. Esperemos que algum sócio lance [essa ideia] em Assembleia Geral”, notou André Villas-Boas, antigo treinador dos dragões, que falava aos jornalistas na Igreja de Santo António das Antas, no Porto.
Fernando Gomes impôs-se como maior “artilheiro” da história do FC Porto, com 355 golos em 452 jogos, e venceu uma Taça dos Campeões Europeus, uma Taça Intercontinental e uma Supertaça Europeia, além de três Taças de Portugal, três Supertaças Cândido de Oliveira e cinco campeonatos, que geraram duas Botas de Ouro (1982/83 e 1984/85).
Com 47 internacionalizações e 13 golos pela seleção lusa, que representou no Euro1984 e no Mundial1986, o popularizado bibota intercalou as duas passagens pelas Antas com um périplo nos espanhóis do Sporting de Gijón (1980-1982) e despediu-se dos relvados no Sporting (1989-1991), assumindo desde 2010 funções diretivas no clube do coração.